Aprendendo a olhar de novo

Ainda espero a fotografia aparecer

Aprendendo a olhar de novo.

Fotografar palco é algo complexo, porque não é estar preparado somente para o momento do show, é, antecipar o momento, pensando no pós, ou seja na edição [tratamento]. Fotografar shows e espetáculos é legal, divertido - na maioria das vezes, mas o pós, era algo que pra mim levava mais tempo; Sempre gostei de tratar imagens, mas uma certa dificuldade em editar. Na maioria das vez não conseguia olhar o material logo em seguida, precisava de um tempo…

Quando estava na faculdade de fotografia, [2007-2009], tinhamos aulas com cameras analogicas e digitais, além de disciplinas de laboratório preto e branco, e cor. E trabalhava na faculdade na com laboratório para os professores, e ficava revelando os filmes pros alunos, e auxiliava no processo de ampliação, além do studio.

Mas acho que dentro de mim havia um tempo entre o ato de fotografar e ver a imagem; um processo mais longo; Entrar no laboratório com o filme na camera ainda, usar a darkbag, engatar o filme no carretel, colocar o carretel no tanque vedado, coloca quimico , mexe, descasa, mexe, descansa, tira quimico, coloca outro e repete o processo (são 3 quimicos) e depois lava, pendura, espera secar por horas, pra então ver uma miniatura em negativo, do que você fotografou. Então cortar o filme, faz a folha de contato, escolhe a imagem que vai ampliar, faz umas tiras de teste, pra então ampliar a imagem, depois revelar a imagem em mais 3 quimicos, no processo de mexer e trocar, e só então vemos como a imagem ficou, e à partir dai começamos a tratar a imagem nas partes claras ou escuras com tempo de exposição e também com o tempo no químico…


Ver a imagem leva tempo.

É completamente diferente de chegar em casa depois de um show, com os olhos cansado do excesso de luz, e ainda sim descarregar, arquivar, subir no catalogo, ver que tudo tá em RAW, ou seja, editor zerado, e pra mim essa é uma dificuldade pra conseguir fazer uma seleção. Porque ainda que eu dê aquela equalizada geral, o volume de material é grande, as vezes você imaginava que as imagens estavam diferentes do que eu achava que tinha visto. Isso causava conflito na hora de escolher as imagens, como eu transferisse todo o meu emocional pra experiência do momento e a busca da imagem que tá lá na sua cabeça.

Nessa dúvida do que escolher, colocava muita coisa- não porque a foto tava bem resolvida, mas porque tinha ficado na dúvida entre algumas; Depois comecei a deixar 10 imagens, e ao organizar meu acervo, e acho que acabamos vendo o material de outra forma, e que seria interessante revisitar, reeditar, publicar fotos inéditas, e é um portfólio vivo, que muda.

Então nesse ano de 2026, publiquei fotos inéditas na série No Palco: Espetáculo Meia-noite, China, Afrobombas, Som na Rural, Felipe Ret, Nouvelle Vague. Além da série de Arte Digital em Homenagem aos Mestres 3, que a série foi refeita aprimorando algumas técnicas.

Acredito que a arte é sempre uma obra inacabada, sempre tem algo que queremos modificar com o tempo, e talvez essa seja a beleza da coisa, a mutabilidade da impermanência.

Afrobombas

Espetáculo Meia Noite

China

Som na Rural

Filipe Ret

Nouvelle Vague


Ver Série NO PALCO


Homenagem aos Mestres 3 - Comparação





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