FEVEREIRO AGOSTO

Durante o ano de 2021, ainda pandemia, aqui no Brasil muitos lugares ficaram fechados, incluindo espaços religiosos, e não foi diferente no terreiro que sou filha. Na Umbanda de Nação Banto-AmerÍndia e na Jurema, os meses de Fevereiro e Agosto são consagrados aos orixás Bará e Lebara e às entidades Exus e Pombas-gira; E nós, filhos desses orixás nesse período temos nossas obrigações no terreiro. 

Em fevereiro de 2020 tivemos a louvação à Exu e tudo ocorreu normalmente, - já que a quarentena no país foi iniciada de março à julho; Em agosto houve a louvação à Lebara, porém de forma bem restrita, e em dezembro com a crescente da pandemia a casa fechou novamente, e pra além disso os nossos pais de santo ficaram internado com o vírus da Covid-19, e em janeiro de 2021 a nossa Mãe encantou-se. 

Fevereiro, esse mês tão esperado por mim, não teve carnaval e nem teve obrigação, duas coisas sagradas pra mim pois, quem mora em Olinda sabe que o sagrado e o profano se misturam, se unem, e viram uma coisa só, fevereiro. 

Nessa série intitulada de Fevereiro Agosto, faço uso de um auto-retrato (selfie) para fazer um desenho, marcando novos caminhos, limites e encruzilhadas nesse corpo-território em que carrego as cores do fundamento do meu orixá, conhecida popularmente como Pomba-Gira. Diversas simbologias estão presentes nas imagens da série, iniciando pelas cores do orixá, guias, o tridente, ebó, rosas, incluindo o uso da tipografia de cabeça para baixo brincando com a palavra 'pomba gira', como estivesse em movimento, reafirmando a territorialidade dessa imagem-corpo. 

O corpo vermelho remete e representa as imagens populares das Pomba-giras conhecidas nos mercados públicos da cidade, em específico no Mercado de São José no bairro do Recife. Essa série é a forma que encontrei de materializar, de realizar minha obrigação, feita à partir de outra casa, a minha; Minha casa, meu corpo-território. Um meio que encontrei de me ver dentro do sagrado, algo que está e faz parte do espírito ancestral, e que também está na carne, - festa da carne, carnaval, e que principalmente está no Orí. Mojubá Lebara! Pomba-gira é Mojubá! Asé


FEBRERO AGOSTO

Durante el año 2021, aún en pandemia, aquí en Brasil muchos lugares permanecieron cerrados, incluidos los espacios religiosos, y no fue diferente en el terreiro del que soy hija. En la Umbanda de Nación Banto-Amerindia y en la Jurema, los meses de febrero y agosto están consagrados a los orixás Bará y Lebara y a las entidades Exus y Pombas-gira; y nosotros, los hijos de esos orixás, en ese período tenemos nuestras obligaciones en el terreiro.

En febrero de 2020 tuvimos la alabanza a Exu y todo ocurrió con normalidad —ya que la cuarentena en el país se inició de marzo a julio—; en agosto hubo la alabanza a Lebara, pero de forma muy restringida, y en diciembre, con el aumento de la pandemia, la casa cerró nuevamente. Además, nuestros padres de santo quedaron internados con el virus del Covid-19, y en enero de 2021 nuestra Madre se encantó.

Febrero, ese mes tan esperado por mí, no tuvo carnaval ni tuvo obligación, dos cosas sagradas para mí porque, quien vive en Olinda sabe que lo sagrado y lo profano se mezclan, se unen y se vuelven una sola cosa: febrero.

En esta serie titulada "Febrero Agosto", hago uso de un autorretrato (selfie) para hacer un dibujo, marcando nuevos caminos, límites y encrucijadas en este cuerpo-territorio que lleva los colores del fundamento de mi orixá, conocida popularmente como Pomba-gira. Diversos simbolismos están presentes en las imágenes de la serie, comenzando por los colores del orixá, guías, el tridente, ebó, rosas, incluyendo el uso de la tipografía al revés jugando con la palabra 'pomba gira', como si estuviera en movimiento, reafirmando la territorialidad de esta imagen-cuerpo.

El cuerpo rojo remite y representa las imágenes populares de las Pomba-giras conocidas en los mercados públicos de la ciudad, específicamente en el Mercado de São José en el barrio do Recife. Esta serie es la forma que encontré de materializar, de realizar mi obligación, hecha desde otra casa: la mía. Mi casa, mi cuerpo-territorio. Un medio que encontré para verme dentro de lo sagrado, algo que está y forma parte del espíritu ancestral, y que también está en la carne —fiesta de la carne, carnaval— y que principalmente está en el Orí. ¡Mojubá Lebara! Pomba-gira es ¡Mojubá! Asé.


February August

During the year 2021, still in a pandemic, here in Brazil many places remained closed, including religious spaces, and it was no different in the terreiro where I am a daughter. In Umbanda of Banto-Amerindian Nation and in Jurema, the months of February and August are consecrated to the orixás Bará and Lebara and to the entities Exu and Pomba-gira; and we, the children of these orixás, have our obligations in the terreiro during this period.

In February 2020, we had the praise to Exu and everything went normally — since the quarantine in the country began from March to July; in August there was the praise to Lebara, but in a very restricted way, and in December, with the rise of the pandemic, the house closed again. Furthermore, our saint parents were hospitalized with the Covid-19 virus, and in January 2021 our Mother became enchanted (passed away).

February, that month I so much looked forward to, had neither carnival nor obligation — two sacred things for me because anyone who lives in Olinda knows that the sacred and the profane mix, unite, and become one single thing: February.

In this series titled "February August", I use a self-portrait (selfie) to create a drawing, marking new paths, limits, and crossroads in this body-territory that carries the colors of the foundation of my orixá, popularly known as Pomba-gira. Various symbols are present in the images of the series, starting with the colors of the orixá, guides (necklaces), the trident, ebó (offering), roses, including the use of upside-down typography playing with the words 'pomba gira', as if in motion, reaffirming the territoriality of this image-body.

The red body refers to and represents the popular images of Pomba-giras known in the public markets of the city, specifically at the São José Market in the Recife neighborhood. This series is the way I found to materialize, to fulfill my obligation, made from another house: my own. My home, my body-territory. A way I found to see myself within the sacred — something that is and is part of the ancestral spirit, and that is also in the flesh (feast of the flesh, carnival), and that is mainly in the Orí (head/sacred space in Afro-Brazilian traditions). Mojubá Lebara! Pomba-gira is Mojubá! Asé.