Quantas mãos fazem um maracatu?

O Maracatu, manifestação cultural do estado de Pernambuco, tem como característica seu colorido, dança e brilho, onde cada metro é uma métrica, cada mão que ajuda, que mede, corta, costura, desenha, borda e dá vida ao Maracatu que se apresenta ao público apoteoticamente no carnaval. Mas durante o ano os Maracatus desaparecem dos grandes holofotes e dos olhos de muitas pessoas que só vêem essas apresentações, e não tem ideia de como começa, nem de quantas mãos fazem um Maracatu. Composto com mais de 40 pessoas, entre todos os personagens, os caboclos de lança são senão os mais importantes, os mais conhecidos popularmente no Maracatu. Eles usam um chapéu grande com fitas coloridas imitando um cabelo comprido com franja, lenço no pescoço, rosto pintado de urucum (vermelho), um cravo na boca, uma gola toda bordada com desenhos coloridos, cheios de paetês, miçangas e franjas nas bordas, um surrão (chocalhos que geralmente pesa 10kg) nas costas, uma calça com franjas, meião, tênis e uma lança de madeira de 2 metros chamada de guiada, cheia de fitas coloridas em retalhos. Esses caboclos de lança, guerreiros, são protetores do cortejo e uma figura bem popular na cultura do estado, que se tornou símbolo do carnaval e cada parte de sua roupa e cores tem uma relação espiritual. Entre todas essas peças, a gola do caboclo de lança, chama atenção com desenhos bordados com paetês e miçangas multicoloridos, que brilham de forma reluzente quando se apresentam. A gola é feita e bordada à mão por pessoas que muitas vezes trabalham no manejo pesado da cana, que vão da força à delicadeza em horas. Entre todas essas peças, a gola do caboclo de lança, chama atenção com desenhos bordados com paetês e miçangas multicoloridos, que brilham de forma reluzente quando se apresentam. O pano preto, a marcação e o corte, antes de todo o brilho e requinte que uma gola apresenta, o molde antes de ganhar corpo, o desenho que é vivo no imaginário de quem o faz, a dança feita com o giz sob o pano preto numa possível coreografia feita pelos passos dos caboclos com suas guiadas durante sua apresentação.


A série “Quantas mãos fazem um Maracatu?” foi realizada em 2015 na cidade de Tracunhaém, interior de Pernambuco, durante a oficina de fazer uma gola de caboclo de lança, do corte ao bordado, com a ajuda dos mestres do Maracatu Águia Formosa da cidade.


Esse trabalho dialoga com outros dois, “Alvorada” e “Maracatu”, que formam uma tríade sobre o Maracatu. A primeira série é ‘Maracatu’, que traz retratos dos brincantes durante um encontro que acontece todo ano no carnaval de Olinda, é um momento onde vemos os personagens num cortejo colorido, cheio de paetês e muito brilho durante a apresentação. A segunda é “Alvorada” que fala sobre uma sambada de maracatu, que foi feita em comemoração à uma liminar da justiça, deferida a favor dos maracatuzeiros, sobre o toque de recolher que era dado pela polícia por 3 anos, proibindo os brincantes de raiarem o dia, uma tradição na cidade de Nazaré da Mata, berço do maracatu rural. E a terceira série é “Quantas mãos fazem um maracatu?” que fala do maracatu no começo, de dar forma, de um pano simples antes de todo o brilho, de fazer a roupa de um dos personagens mais emblemáticos do maracatu, o caboclo de lança.


Cuantas manos hacen un Maracatu?

El Maracatu, manifestación cultural del estado de Pernambuco, tiene como característica su colorido, danza y brillo, donde cada metro es una métrica, cada mano que ayuda, que mide, corta, cose, dibuja, borda y da vida al Maracatu que se presenta al pueblo apoteósicamente en el carnaval. Pero durante el año los Maracatus desaparecen de los grandes reflectores y de la mirada de muchas personas que solo ven esas presentaciones, y no tienen idea de cómo comienza, ni de cuántas manos hacen un Maracatu. Compuesto por más de 40 personas, entre todos los personajes, los caboclos de lanza son, sino los más importantes, los más conocidos popularmente en el Maracatu. Ellos usan un sombrero grande con cintas de colores que imitan un cabello largo con flequillo, pañuelo en el cuello, rostro pintado de achiote (rojo), un clavo en la boca, un collar todo bordado con dibujos coloridos, llenos de lentejuelas, mostacillas y flecos en los bordes, un surrão (sonajas que generalmente pesan 10 kg) en la espalda, un pantalón con flecos, calcetín alto, zapatillas y una lanza de madera de 2 metros llamada guiada, llena de cintas de colores en retazos. Estos caboclos de lanza, guerreros, son protectores del cortejo y una figura muy popular en la cultura del estado, que se ha convertido en símbolo del carnaval y cada parte de su vestimenta y colores tiene una relación espiritual. Entre todas estas piezas, el collar del caboclo de lanza llama la atención con dibujos bordados con lentejuelas y mostacillas multicolores, que brillan de manera resplandeciente cuando se presentan. El collar es hecho y bordado a mano por personas que a menudo trabajan en el manejo pesado de la caña, que pasan de la fuerza a la delicadeza en cuestión de horas. El paño negro, el marcado y el corte, antes de todo el brillo y refinamiento que presenta un collar, el molde antes de cobrar cuerpo, el dibujo que está vivo en el imaginario de quien lo hace, la danza hecha con la tiza sobre el paño negro en una posible coreografía realizada por los pasos de los caboclos con sus guiadas durante su presentación.

La serie "¿Cuántas manos hacen un Maracatu?" fue realizada en 2015 en la ciudad de Tracunhaém, interior de Pernambuco, durante el taller de confección de un collar de caboclo de lanza, desde el corte hasta el bordado, con la ayuda de los maestros del Maracatu Águia Formosa de la ciudad.

Este trabajo dialoga con otros dos, "Alvorada" y "Maracatu", que forman una tríada sobre el Maracatu. La primera serie es 'Maracatu', que presenta retratos de los brincantes durante un encuentro que ocurre cada año en el carnaval de Olinda; es un momento donde vemos a los personajes en un cortejo colorido, lleno de lentejuelas y mucho brillo durante la presentación. La segunda es "Alvorada", que habla sobre una sambada de maracatu, realizada en conmemoración de una medida cautelar de la justicia, concedida a favor de los maracatuzeiros, sobre el toque de queda que era impuesto por la policía durante 3 años, prohibiendo a los brincantes rayar el día, una tradición en la ciudad de Nazaré da Mata, cuna del maracatu rural. Y la tercera serie es "¿Cuántas manos hacen un maracatu?", que habla del maracatu en sus inicios, de dar forma, de una tela sencilla antes de todo el brillo, de confeccionar la vestimenta de uno de los personajes más emblemáticos del maracatu, el caboclo de lanza.


How many hands make a Maracatu'?

Maracatu, a cultural manifestation from the state of Pernambuco, is characterized by its color, dance, and shine, where every meter is a metric, every hand that helps, that measures, cuts, sews, draws, embroiders, and brings to life the Maracatu that presents itself to the public apotheotically during carnival. But throughout the year, the Maracatus disappear from the big spotlights and from the eyes of many people who only see these performances, and have no idea how it begins, nor how many hands make a Maracatu. Composed of more than 40 people, among all the characters, the caboclos de lança (lance caboclos) are, if not the most important, the most popularly known in Maracatu. They wear a large hat with colorful ribbons imitating long hair with bangs, a neckerchief, their faces painted with annatto (red), a clove in their mouths, a collar fully embroidered with colorful designs, full of sequins, beads, and fringes on the edges, a surrão (rattles that usually weigh 10 kg) on their backs, fringed pants, long socks, sneakers, and a 2-meter wooden spear called a guiada, covered with colorful fabric scraps. These caboclos de lança, warriors, are protectors of the procession and a very popular figure in the state's culture, having become a symbol of carnival, and each part of their costume and colors has a spiritual connection. Among all these pieces, the caboclo de lança's collar draws attention with designs embroidered with multicolored sequins and beads, which shine brilliantly when they perform. The collar is made and hand-embroidered by people who often work in the heavy labor of sugarcane, shifting from strength to delicacy in a matter of hours. The black fabric, the marking and cutting, before all the shine and refinement that a collar presents, the pattern before it takes shape, the design that is alive in the imagination of the maker, the dance made with chalk on black fabric in a possible choreography created by the steps of the caboclos with their guiadas during their performance.

The series "How many hands make a Maracatu?" was produced in 2015 in the city of Tracunhaém, in the interior of Pernambuco, during a workshop on making a caboclo de lança collar, from cutting to embroidery, with the help of the masters of the Maracatu Águia Formosa from that city.

This work dialogues with two others, "Alvorada" and "Maracatu", which form a trilogy about Maracatu. The first series is 'Maracatu', which brings portraits of the dancers during an encounter that takes place every year at the Olinda carnival; it is a moment when we see the characters in a colorful procession, full of sequins and lots of shine during the performance. The second is "Alvorada" (Dawn), which speaks about a maracatu sambada held in celebration of a court injunction granted in favor of the maracatuzeiros, regarding the curfew imposed by the police for 3 years, which prohibited the dancers from welcoming the dawn — a tradition in the city of Nazaré da Mata, birthplace of rural maracatu. And the third series is "How many hands make a maracatu?", which speaks about the maracatu at its beginning, giving it shape, a simple cloth before all the shine, making the costume of one of the most emblematic characters of the maracatu, the caboclo de lança.